A Velocidade Como Componente do Conhecimento

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Estamos acostumados a descrever a velocidade na relação distância e tempo, mas a velocidade não necessariamente é a resultante da distância percorrida pelo tempo gasto para percorrer essa mesma distância, esta é uma definição de velocidade que implica apenas quando se trata de deslocamento. Esse processo é bem mais complexo e a resultante da distância percorrida em determinado espaço de tempo, por mais absurda que possa parecer, é uma informação que nos remete pura e unicamente aos referenciais de tempo e espaço como os conhecemos.

A velocidade para percorrer uma distância em determinado tempo não se mede apenas pelos elementos de validação como os construímos, pois, esses elementos são os visíveis aos olhos e fazem parte daquilo que foi abordado no primeiro capítulo sobre o Conhecimento. Um acúmulo de informações pretéritas a partir da exposição do cérebro às experiências dos nossos terminais sensoriais, quais sejam: audição, visão, olfato, tato e paladar. O cérebro cruza estas informações e nos possibilita descrever a velocidade como uma experiência que extrapola a relação tempo e espaço. 

A velocidade é também uma relação de destreza, uma relação de percepção, uma relação do pensamento com as possibilidades de experiências que se podem acumular. A velocidade permite ao homem extrapolar o seu limite de resposta aos eventos apresentados e nessa busca por resposta mais rápida aos questionamentos, permitiu também, o aprendizado transformado em tecnologia, um Conhecimento que cruza variáveis, incorpora novas informações, constrói hipóteses e ao final possibilita um novo Conhecimento que correlaciona as informações pretéritas de espectro mais alargado conjugado à exposição do cérebro às experiências dos nossos terminais sensoriais e assim sendo manifesta-se como um Conhecimento do homem e não da tecnologia. 

O homem ao usar o Conhecimento para produzir instrumentos da percepção da velocidade, o faz tendo como referencial as suas necessidades e não as apresentadas pelo Universo. O homem não interfere na forma como o Universo se desloca no espaço, o homem pode sim interferir no seu processo de deslocamento a partir do acúmulo de informações, mas nada além disso. As distâncias a percorrer e o tempo que se consome – exatamente, se consome, pois não retorna – nos dão a sensação da velocidade a partir de elementos próprios do nosso planeta e que em atmosferas diferentes, mesmo que se valha das mesmas medidas de distância e tempo, bem como as mesmas especificações do conjunto motriz, não necessariamente teremos as mesmas velocidades, pois o que se construiu em termos de Conhecimento só se valida no espaço físico onde o Conhecimento foi produzido.

Quando se prende ao conceito de velocidade, como o conhecemos, uma relação de espaço percorrido e tempo consumido, necessariamente, para aumentar a velocidade temos de diminuir o atrito; reduzir as possibilidades de um acidente; eliminar os pontos de conflitos; produzir força motriz compatível com a via que suporta o veículo; utilizar o combustível mais apropriado; criar uma aerodinâmica compatível com a velocidade e a força de atrito a ser rompida, tudo isso sem se esquecer da segurança que permita ao veículo se deslocar e fazer chegar o homem, do ponto A ao ponto B. 

Com essas informações que levam ao Conhecimento e a partir dele uma nova tecnologia, o homem foi capaz de desenvolver um veículo, que pudesse utilizar as vias aéreas. Esse veículo nos remete à relação mais próxima do que seja o deslocamento do Universo, do que seja o deslocamento do planeta Terra na sua órbita gravitacional em relação ao Sol, sem contudo deslocar nas mesmas condições que o planeta Terra desloca no Universo. Ao Universo não se aplica o atrito, o Universo se desloca no vácuo, a velocidade de deslocamento é a mesma desde sempre e assim se manterá enquanto for o arranjo da sua estruturação.

Perceber a ausência do atrito no deslocamento de um veículo não é uma inferência difícil de se construir, de certa forma é muito simples e chega a ser um exercício lúdico, tal a simplicidade dos arranjos no Universo, mas que determina uma série de informações pretéritas que construíram o Conhecimento, consumiram o tempo e a capacidade de muitos cientistas – Isaac Newton, Nicolau Copérnico, Galileu Galilei, dentre outros.

Transformar em ação o movimento, a imagem que caracteriza o deslocamento do planeta Terra na sua órbita gravitacional, como dissemos, é um exercício lúdico que pode ser realizado em qualquer ambiente, basta apenas conhecimento pretérito sobre a Lei de Atrações dos Corpos e a disponibilidade para brincar, isso mesmo, divertir-se. A atividade é muito simples, duas pessoas são o suficiente, a vontade de apreender é a essência, a ação é a força motora da atividade. As duas pessoas se seguram pelas mãos e com os braços estendidos, sendo que uma delas mantém o seu ponto de apoio fixo, mas não estático, e a outra pessoa correrá em volta dela, ambas se seguram, uma pessoa no centro da circunferência que ficticiamente se forma pelo movimento da outra que se mantém em movimento curvilíneo uniforme.

A pessoa do centro se movimenta de forma a garantir que a pessoa que está na periferia possa manter o seu movimento e a distância entre ambas. Os braços estendidos, com as mãos dadas, representam as forças tratadas pela Lei de Atrações dos Corpos. Existe uma força centrífuga e uma força centrípeta, essas forças são as condicionantes da estruturação da órbita que ficticiamente se formou, mas que na prática estruturam o movimento de qualquer corpo que se desloca no espaço. Se a pessoa que está no centro, que representa o Sol, soltar a mão da pessoa que representa o planeta Terra e está na periferia, pelos enunciados físicos, essa pessoa seria lançada pela tangente – lembrando que uma circunferência é uma sucessão de retas e que a tangência é um ponto de início de uma reta – em relação à curva que representa a sua órbita hipotética, se afastando em movimento retilíneo uniforme indefinidamente e infinitamente do ponto que a se sustentava no espaço, isto porque no espaço não há atrito, há predominância do vácuo e por consequência, a velocidade é constante.

Ao trazer a mesma imagem em movimento, que foi criada para demonstrar a Lei de Atrações dos Corpos, para o contexto da velocidade desenvolvida por um veículo numa via terrestre, observaremos uma diferença crucial, que se manifesta pelo atrito, ele não permitirá que o veículo lançado à tangência de sua curva, continue em velocidade constante e parará o veículo. O atrito não se faz apenas pelo pavimento e rolamento, no caso do veículo lançado à tangência de sua trajetória, o atrito poderá ser determinado, também, pelo ar e pelo conjunto motriz do veículo, sua dirigibilidade, seu sistema de frenagem e seu peso bruto total.

A percepção da tangência na dirigibilidade do veículo e sobretudo na velocidade do veículo, são condicionantes que mantém o veículo na sua trajetória, as forças centrífugas e centrípetas, agem no veículo em movimento curvilíneo, na mesma forma que age sobre o planeta Terra em relação à sua órbita gravitacional. No veículo em movimento é necessária a percepção de que ao entrar na curva, reduzimos a força de aceleração e no meio da curva restabelecemos a força de aceleração que vai manter constantes as forças centrífuga e centrípeta, evitando que o veículo venha a perder a aderência ao pavimento – perder o atrito – e saia pela tangente. Obviamente que as condições do pavimento ou do ponto intermédio do pavimento, que recepciona o veículo, devem ser consideradas. Pois são essas condições do pavimento que vão condicionar a velocidade necessária que se deve imprimir para evitar um acidente pelo rompimento das questões teóricas determinantes da condução do veículo e a sua velocidade.

Um veículo em deslocamento curvilíneo, que sai pela tangente de uma curva, em função da perda da aderência está sujeito à Lei das Probabilidades, em suma se expõe ao risco de danos materiais, lesões corporais e mortes. 

Ainda na parte lúdica da explicação do atrito na composição da velocidade que um veículo se desloca no planeta Terra, outra brincadeira se apresenta como de fácil explicação de um enunciado, segundo o qual um corpo em movimento tende a continuar em movimento se outras forças não agirem sobre ele. É muito comum as cadeiras de escritório com rodas e com essas mesmas cadeiras, pode-se explicar o que acontece quando estamos num veículo e esse veículo de forma abrupta interrompe a sua marcha. Basta que uma pessoa se sente na cadeira e outra pessoa empurre a cadeira em ritmo constante e de súbito pare a cadeira. A pessoa que está sentada na cadeira será projetada à frente segundo o princípio teórico da Lei de Newton. 

O mesmo processo acontece com uma pessoa dentro de um veículo, se o veículo parar abruptamente, a pessoa será lançada à frente, pois o seu corpo cumpre a Lei que se aplica a qualquer corpo no espaço. Pois se perderá o atrito, que naquele momento prende a pessoa ao banco do veículo e para resolver esta questão, é exigido um equipamento obrigatório: o cinto de segurança. 

Até aqui todas as evidências definem de forma lúdica a Lei de Atrações dos Corpos, a Lei das Probabilidades e a Lei de Newton, mas o atrito ainda não foi clarificado dentro da abordagem sobre a velocidade. É preciso tentar clarificar o atrito e isto pode ser um explicado a partir de um esporte chamado Curling, que é disputado em locais fechados, num campo de dimensões reduzidas e que o piso desse campo é de um material que friccionado, reduz o atrito e permite que uma peça de pedra polida, de forma arredondada nas bordas e plana na sua base de contato, chegue até um círculo na outra extremidade do campo. Para atingir o objetivo, os jogadores podem friccionar o piso, reduzindo ainda mais o atrito pelo calor e aumentando a velocidade ou corrigindo o caminho a ser buscado pela peça de pedra polida objetivando atingir o círculo de pontuação do jogo. 

A inexistência do atrito também pode ser verificada quando um veículo perde o contato dos seus rolamentos com o pavimento, onde a dirigibilidade fica comprometida e o veículo fica sujeito à Lei das Probabilidades, restando ao condutor do veículo, no processo de dirigibilidade, tentar aumentar a pressão do veículo sobre o pavimento, não mudando a direção, não acelerando, não fazendo força sobre o pedal de frenagem, em suma mantendo a pressão constante da força motriz em relação ao piso. 

A mesma situação relativa ao exemplo do veículo que perde o contato do seus rolamentos com o pavimento, pode ser tratada como uma atividade lúdica e facilmente percebida por qualquer pessoa que se proponha a patinar num campo de gelo, ou ainda correr num campo de lama, certamente a probabilidade de acidente tende a aumentar. 

Uma outra condicionante da explicação sobre o atrito pode ser sentida por qualquer pessoa que se sujeita ao deslocamento e isso independe de se deslocar num veículo ou não e é o atrito causado pelo deslocamento do ar. Esse atrito pode ser sentido quando andamos, corremos ou principalmente quando deslocamos em veículos que não apresenta barreiras físicas para impedir o atrito provocado pela velocidade em nossos rostos. Quanto maior a velocidade, maior o atrito e maior a pressão do atrito sobre o nosso corpo. Esse atrito causado pelo deslocamento do ar, só existe na atmosfera do planeta Terra, não existindo no espaço. Lembre-se o espaço é o vácuo, não há ar, podem e existem tempestades que se apresentam como ondas e não ar. 

Pense e reflita: quando deslocamos e sentimos o vento no rosto, quanto mais rápido, maior a resistência do ar e maior o atrito; imagine se houvesse atrito no espaço, com o planeta Terra girando a quase 1700 Km/h estaríamos esmagados pelo ar. Isso é a comprovação mais realística da existência do vácuo. Obviamente que a Lei de Newton, a respeito dos corpos em movimentos, também se aplica a quem está na superfície do planeta Terra, assim não sentimos a rotação do planeta Terra pois até a atmosfera está girando com ele. 

Certamente que após a explicação sobre a velocidade, faz-se necessário um Conhecimento que nos possibilite tratar a questão dentro da nossa realidade. Efetivamente buscar informações que transformem tudo que se pode discutir nessa postagem num Conhecimento, que se não novo, se torne um referencial especulativo. 

Quando abordamos a questão dos mecanismos de aproximação de uma objetiva, parte de uma máquina fotográfica, abordamos uma correlação com a dirigibilidade de um veículo que, sofrendo uma força de aceleração e ganhando velocidade, seu condutor deixa de receber informações importantes sobre a via, os usuários da via e as pessoas nas imediações da via. Nessa abordagem, fica clara que a dirigibilidade a partir do momento que se liga o veículo e se desloca num determinado trajeto, agrega-se informações necessárias à condução com segurança, conhece-se o veículo; a via; e os demais usuários da via.

As informações do ambiente mediato, que são o comportamento dos pedestres, cada vez menos são processadas pelo condutor do veículo, na medida em que o veículo aumenta a sua velocidade de deslocamento. O condutor deixa de validar as informações periféricas e passa a dar maior ênfase às informações produzidas pelos veículos e pela via. Temos que mesmo numa via existem conflitos e concorrências entre os veículos e que na medida em que se aumenta a velocidade de deslocamento, os pontos de conflitos têm de ser minimizados e os pontos de concorrências tratados de forma a melhorar a fluidez e evitar os acidentes. 

Para tratar objetivamente do Conhecimento que permite uma interpretação mais apropriada ao tema, não sendo a regra geral, mas uma possibilidade de modelo, foram agregadas informações validadas ao longo do tempo e maturadas com as intervenções necessárias buscando a fluidez num ambiente de velocidade, a eliminação dos pontos de conflito e a redução dos pontos de concorrência. Essas informações apresentam-se como um referencial de intervenção na mobilidade urbana atendendo ao caráter de época e disponibilidade de recursos de engenharia, educação e esforço legal – legislação, fiscalização e medidas coercitivas. 

Tomemos como exemplo a definição viária e o deslocamento nas vias. No início as vias eram poucas e os veículos raros, a velocidade de deslocamento era baixa. Na medida em que aumenta o número de veículos e os traçados das cidades demandam cruzamentos de vias, surge a primeira regra – a preferencial de quem vem pela direita. O fluxo aumenta, surgem os acidentes de trânsito, faz-se necessária a regulamentação da via – surgem as placas de sinalização. As placas de sinalização, por si só, num ambiente de popularização do automóvel, já não conseguem reduzir o conflito no trânsito, é necessária a alocação de pessoas para a coordenação do trânsito – surge o agente de trânsito.

Com o crescimento das cidades e com a engenharia de trânsito, a tecnologia passa a substituir o homem – surgem os sinais de trânsito luminosos, conhecidos como semáforos. Mas para se evitar o descrédito na tecnologia, o homem resolve investir na engenharia de planificação viária e surgem as rotatórias como alternativa, reduzindo o conflito, diminuindo a espera e aumentando a velocidade de deslocamento. Passada a fase da rotatória, com o crescente número de veículos nas vias e a demanda por maior velocidade de deslocamento, surgem os cruzamentos em níveis diferentes – as trincheiras e os viadutos.

Claramente a velocidade em que tudo isso se construiu como um Conhecimento, é fruto de informações que aplicadas como alternativa ao fluxo de veículos, proporcionou a eliminação dos conflitos, a redução das concorrências, o aumento das velocidades de deslocamento, maior tempo em qualidade de vida. Ao final menos acidentes de trânsito; lesões; mortes; gastos com seguros; indenizações; aposentadorias por invalidez; perda de força de trabalho. Enfim um conjunto de informações que trabalhado com Conhecimentos pretéritos acertados, permitem ao homem o crescimento. 

Obviamente que esse Conhecimento abordado e que foi tratado a partir da visão da velocidade resultante da relação espaço e tempo, permite conclusões sobre a demanda por novas informações que levam às hipóteses mais acertadas para o enfrentamento de uma questão. O novo Conhecimento é uma exigência de resposta que impõe, a quem deva produzir as informações, formas de acumular, registrar, disponibilizar e correlacionar o Conhecimento pretérito que permita o acesso em tempo oportuno e pontual a quem dele demande. Pois como foi apresentada, a velocidade é também uma relação de destreza, uma relação de percepção, uma relação do pensamento com as possibilidades de experiências que se podem acumular. A velocidade permite ao homem extrapolar o seu limite de resposta aos eventos.

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