5 anos da Patrulha Maria da Penha são comemorados pelos policiais militares gaúchos

Nas comemorações do 180º aniversário da Brigada Militar, foi organizado 1º Seminário Interno da Patrulha Maria da Penha, que completou 5 anos de atividade.

No evento, realizado nessa “quarta-feira (26), no Centro de Eventos da Fiergs, em Porto Alegre”, estiveram “mais de 100 policiais militares, com o objetivo de atualizar e aperfeiçoar o trabalho realizado e, ainda, trocar experiências” sobre as estratégias de polícia ostensiva “no combate à violência contra a mulher”.

Leia mais informações, e saiba sobre o desenvolvimento das atividades previstas, na notícia publicada no portal da BMRS, e transcrita a seguir:

O foi aberto com a presença de mais de 100 policiais militares, . O evento, comemorativo aos cinco anos do programa, também integra (BM).

Na abertura do seminário, o chefe do Estado-Maior da BM, coronel Júlio César Rocha Lopes, parabenizou a unidade. “É um trabalho diferenciado, de qualidade, de muita abnegação, de extremo profissionalismo e dedicação”, declarou. Para ele, as atividades das patrulhas devem ser incrementadas. “Além de salvar vidas, vocês estão salvando famílias, comunidades e fazendo um serviço que muitas vezes ninguém quer fazer”, destacou.

A coordenadora técnica do programa, capitã Clarisse Heck, salientou que muitos feminicídios foram evitados com a atuação da Patrulha Maria da Penha. “Ameaça e lesão corporal são as ocorrências que prevalecem. O programa tem apresentado redução dos índices de violência doméstica e familiar nas regiões de atuação. A partir desses resultados, a ideia é ampliar a presença da Patrulha nas cidades gaúchas”. De acordo com as estatísticas, somente no ano passado, 96 mulheres foram mortas no estado, o que representa uma média de oito vítimas por mês.

O comandante-geral da BM, coronel Andreis Silvio Dal`Lago, alertou que todos têm direito de viver em uma sociedade livre, diferenciada, sem violência nem agressões. ”As vítimas enxergam em vocês a salvação de suas vidas”, enfatizou. “Enquanto uma mulher precisar, estaremos lá”, assegurou, referindo-se à atuação da BM na prevenção da violência doméstica e familiar.

Durante o seminário, os painelistas apresentaram temas de interesse de quem trabalha diariamente com o estresse de acompanhar situações de violência. Para mudar essa realidade, segundo os especialistas, é necessário mudar comportamentos. Bárbara Penna, vítima de violência familiar, teve 40% do corpo queimado e enfrentou a morte de seus dois filhos pelo ex-companheiro. Sua história traduz a realidade e aquilo que a sociedade espera dentro de uma nova atitude da polícia e da sociedade para superar a violência doméstica e familiar.

“Tive a honra de participar do primeiro seminário da Patrulha Maria da Penha e contar sobre a minha história, que foi uma tragédia muito grande. Eu tenho o direito de recomeçar e é isso que eu tento passar para as mulheres hoje. Que, primeiro, não deixem acontecer uma tragédia, como a que aconteceu na minha vida. Caso aconteça, que elas possam ter direito à vida, à felicidade, de acreditar em uma nova pessoa. Temos o direito de ser feliz e o nosso amor próprio tem que estar em primeiro lugar.”

Também participaram do seminário a major Denise Alves Riambau Gomes, médica psiquiatra do Hospital da Brigada Militar; a psicóloga Ivete Vargas, coordenadora dos Grupos Reflexivos de Gênero do 1º Juizado de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher; a promotora de Justiça Ivana Bataglin, da Promotoria de Justiça de Direitos Humanos de Porto Alegre e da Comissão Permanente de Combate à Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher (Copevid), do Grupo Nacional de Direitos Humanos do Ministério Público; e a defensora pública Regina Célia Rizzon Borges de Medeiros, dirigente do Núcleo de Defesa da Saúde da DPE/RS e defensora-assessora da Subdefensoria Pública-Geral para Assuntos Jurídicos da DPE/RS e instrutora em formação de Oficinas de Parentalidade pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

Patrulha Maria da Penha

A Patrulha Maria da Penha existe desde 2012 e, atualmente, atende a 27 municípios. Pioneira no Brasil, somente em 2016, realizou mais de 18 mil visitas a mulheres vítimas, atuando em conjunto com o Judiciário no cumprimento de medidas protetivas e auxiliando na prevenção de novos casos. Sua atuação assegura a presença física do Estado junto a mulheres adultas, adolescentes ou crianças, vítimas de violência doméstica ou familiar que tem como causa uma milenar cultura da supremacia de gênero.

Inscrito no Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o programa foi reconhecido, em 19 de julho de 2017, como um dos 10 finalistas como práticas inovadoras de enfrentamento à violência contra as mulheres no Brasil. Em cinco anos de existência, a Patrulha Maria da Penha tem inspirado outros estados, como Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Espírito Santo, Paraná, Bahia, Minas Gerais, Rondônia e Santa Catarina.

Fonte: BMRS.

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