No Festival de Cannes, participação de mulheres é celebrada no cinema.

Papéis ocupados outrora pelos homens são cada vez mais ocupados pelas mulheres. É o que se vê, no 70° Festival de Cannes, onde há “presença expressiva de diretoras em competição ou nas mostras paralelas. O evento tem valorizado cada vez mais a participação das mulheres no cinema, em frente a atrás das câmeras”, destacou a Rádio França Internacional (RFI), informando ainda que:

Uma Thurman, Jessica Chastain, Salma Hayek, Catherine Deneuve e Juliette Binoche. As principais estrelas da Sétima Arte estavam reunidas na noite deste domingo (21) na Place de la Castre, nas colinas de Cannes, para celebrar o papel das mulheres no cinema. Durante o jantar oficial para 200 convidados, a atriz francesa Isabelle Huppert foi homenageada com o prêmio Women in Motion, ao lado da diretora húngara Maysaloun Hamoud, que receberá dos organizadores apoio financeiro para seus próximos projetos.

Idealizado pelo grupo de luxo Kering – dono de marcas como Yves Saint Laurent e Balenciaga – o evento faz parte do calendário do Festival de Cannes e tem como objetivo principal a valorização das mulheres na indústria cinematográfica. Além da homenagem a atrizes e diretoras durante o jantar de gala, os organizadores promovem uma série de debates abertos a jornalistas e profissionais do setor, nos quais a contribuição das mulheres para o cinema é o tema central. Esse ano, além de Huppert, nomes como Robin Wright e Diane Kruger vieram contar suas experiências diante do público.

O Women in Motion é apenas uma das manifestações que confirmam a vontade do festival de Cannes de valorizar o trabalho das mulheres na Sétima Arte. A prova disso é número de projetos encabeçados por diretoras nesta edição do evento. Se dos 19 filmes exibidos na competição principal apenas três são assinados por diretoras, nas demais mostras elas são cada vez mais presentes.

Outros dois pontos evidenciados pela RFI foram os “filmes femininos e feministas” e “quinzenas dos realizadores é repleta de mulheres”.

Leia mais sobre os dois destaques:

Primeiro destaque: “Filmes femininos e feministas

Na corrida pela Palma de Ouro, prêmio máximo do Festival de Cannes, três mulheres estão na lista. Além da britânica Lynne Ramsay, que concorre com “You Were Never Really Here” e da japonesa Naomi Kawase, na disputa com “Hikari”, a americana Sofia Coppola apresenta “O Estranho que nós amamos”. Essa segunda adaptação para o cinema do livro de Thomas P.Cullinan, (“A Painted Devil”) traz um elenco composto principalmente por mulheres, liderado por Nicole Kidman, que aliás estrela quatro filmes este ano em Cannes.

Já na mostra Un Certain Regard (Um certo olhar), Cecilia Atán e Valeria Pivato assinam “La novia del desierto”, Valeska Grisebach compete com “Western”, Léonor Serraille com “Jeune Femme” e Annarita Zambrano com “Dopo la guerra”. Outro filme esperado é o “Aala Kaf Ifrit”, da tunisana Kaouther Ben Hania. Depois de denunciar o machismo ordinário em seu país com “Challat de Tunis”, a diretora apresenta em Cannes uma obra engajada, na qual conta a história de uma jovem vítima de estupro, que luta para defender seus direitos.

Segundo destaque: Quinzena dos Realizadores é repleta de mulheres

A Quinzena dos Realizadores, seleção organizada pelo Sindicato dos Diretores da França, é uma das mais representativas da presença das diretoras em Cannes. Dos 19 longas escolhidas na mostra, sete foram assinados por cineastas mulheres.

Entre as francesas, Claire Denis apresenta a comédia “Un beau soleil intérieur”, que conta no elenco como nomes de peso, como Gerard Depardieu e Juliette Binoche. O filme é inspirado no livro “Fragmentos de um discurso amoroso”, de Roland Barthes. Já Carine Tardieu concorre com “Ôtez-moi d’un doute”, enquanto Sonia Kronlund exibe “Nothingwod”, um documentário sobre o diretor de cinema afegão Salim Shaheen.

Do lado da América Latina, a colombiana Natalia Santa apresenta “La Defensa del dragón”. Entre as asiáticas o destaque vai para a indonésia Mouly Surya, com “Marlina si pembunuh dalam empat babak” e entre as africanas as atenções estão voltadas para a zambiana Rungano Nyoni, com “I am not a witch”. Já a sino-americana Chloé Zhao concorre com “The Rider”, um longa que tem como pano de fundo o mundo do rodeo.

Essa vontade (assumida ou não) de valorizar o trabalho das diretoras, foi sentida na seleção dos filmes, mas também na abertura do Festival, com o discurso da mestre de cerimônia Monica Bellucci. Principalmente quando a atriz italiana celebrou o número de mulheres presentes entre os concorrentes: “O cinema não tem sexo, bandeira ou fronteiras”, sentenciou, lembrando nas entrelinhas que é importante ter mulheres que fazem sonhar nas telas, mas também diante das câmeras.

Fonte: RFI.

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