“Quase tão impopular quanto Dilma, Temer completa um ‘ano horrível’ no poder, diz Le Monde”

“Quase tão impopular quanto Dilma, Temer completa um ‘ano horrível’ no poder, diz Le Monde”

16/05/2017 Atualização Geral Política 0

A situação política brasileira foi objeto de uma reportagem do jornal Le Monde, publicado nesta terça-feira (16), ocupando uma página inteira, divulgou a Rádio França Internacional (RFI), com o título ora destacado.
do Brasil.

Esse último ano, segundo a correspondente do vespertino em São Paulo, teria sido “O ano horrível de Temer” e “faz um balanço do mandato desse ‘chefe de Estado acidental’ que, segundo o texto, mergulha o país em uma profunda desordem.”

Outras informações, foram assim publicadas pela RFI:

Um ano após ter substituído a presidente de esquerda Dilma Rousseff, Michel Temer, que é “motivo de chacota por seu excesso de solenidade, tem dificuldade para impor sua legitimidade”, explica o jornal. “Desconfortável, ele foge desse ‘povo’ que gostava tanto de Lula. Impopular, ele evita as cerimônias públicas, com medo de ser vaiado”, continua o vespertino.

Para explicar esse contexto, a correspondente traça um perfil do atual presidente, lembrando que ele “representa melhor que ninguém a elite paulista”. O texto qualifica Temer, ex-presidente da Câmara dos deputados e professor de direito constitucional de refinado, erudito, fã de poesia, e que usa sempre um vocabulário preciso. “Um aristocrata, que representa o oposto de Lula, o ‘pai dos pobres’, querido dos mais humildes e que adora pontuar seus discursos com metáforas futebolísticas”, compara.

Do lado político, Le Monde explica que o atual chefe de Estado é um especialista das negociações entre partidos, das alianças e das intrigas. Segundo o vespertino, Temer não é audacioso, e sim oportunista. Ao sentir que a rua começava a protestar contra Dilma, ele se afastou da presidente, se isentando de qualquer responsabilidade nos erros da então chefe de Estado, explica o texto.

“Traidor para alguns, salvador da Pátria para outros, Temer prometeu, em seu primeiro discurso, reconciliar um Brasil castigado pelo impeachment. Mas seus primeiros passos foram apocalípticos”, lembra a correspondente, frisando que o governo do novo presidente era composto apenas por homens, brancos e idosos, projetando uma imagem ultrapassada. Sem esquecer a polêmica tentativa de acabar com o ministério da Cultura e suas declarações desastrosas sobre as mulheres, que irritaram os feministas, enumera o texto.

Mês após mês, a magra popularidade do presidente desmorona ao ponto de se aproximar de sua antecessora, constata a correspondente, lembrando que os muros das grandes cidades estão repletos de pichações “Fora Temer”. Mesmo assim, o chefe de Estado não parece se incomodar, comenta a reportagem. Ele se sentiria apoiado pelo mundo dos negócios de direita para implementar seu impopular programa de reformas estruturais, como a da aposentadoria ou ainda o congelamento dos gastos públicos do país, continua o texto.

A reportagem lembra que Temer não pretende se candidatar em 2018 e explica que um ano após a saída de Dilma do poder, a recessão e o desemprego continuam destruindo o país, enquanto os escândalos de corrupção, que não poupam nenhum partido, provocam um vazio político. “Um espaço deserto que apenas Lula consegue ocupar”, apesar das acusações de corrupção que também o atingem, analisa o texto.

Fonte: RFI.

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